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MARCHEZAN E A CARRIS

Que fique bem claro: Marchezan ganhou a eleição em Porto Alegre por que apresentou aos eleitores um discurso contextualizado no novo, isto é, sem o ranço tradicional das promessas que se repetem nas plataformas eleitorais de todos os candidatos.


Em qual eleição de Porto Alegre – desde que a cidade tem transporte coletivo – alguém ousou tratar da possibilidade de a Carris ser privatizada? Mesmo que o assunto tenha sido abordado por Marchezan com o cuidado necessário numa campanha eleitoral para não ferir interesses corporativos, as entrelinhas das manifestações do candidato tucano não deixavam dúvidas sobre a necessidade de se fazer uma ecografia na gestão da Carris.

A questão será discutida na Câmara de Vereadores quando chegar a hora da verdade para a privatização da Carris e ela chegará, não tenham dúvida disso.  Não há mais espaço para o Poder Público manter uma empresa altamente deficitária como a Carris num sistema de transporte coletivo onde há concorrência e não se sabe da existência de outras empresas com os problemas de gestão enfrentados pela estatal porto-alegrense.

No meio empresarial do transporte urbano sabe-se que as linhas exploradas pela Carris são o “filé mignon” do sistema e mesmo assim há um déficit anual previsto para este ano de R$ 55 milhões.Em 2015, a Carris fechou suas contas com R$ 48 milhões de prejuízo.

A tese da vigência da passagem gratuita em Porto Alegre sustenta que  35% dos passageiros da Carris andam de graça. Então, a culpa é de quem concedeu os benefícios, ou seja, a Câmara de Vereadores. Alguns deles exagerados como a passagem sem custo para idosos com 60 anos, quando no Brasil,  o reconhecimento do idoso é a partir de 65 anos.

Convém lembrar que as empresas privadas concorrentes da Carris também reclamam das isenções existentes no transporte coletivo da Capital, mas nem por isso apresentaram deficits tão assustadores. E se o prejuízo for constatado como esse endêmico da Carris, as deficitárias vão à falência, sem o socorro da Prefeitura que para cobrir os rombos tira dinheiro da saúde, da educação e das obras públicas.

Marchezan foi eleito para ser o cirurgião que vai neutralizar os microrganismos hospedeiros que sugam as receitas municipais deixando Porto Alegre anêmica e em “situação” de indigência.

É VERDADE?

Perguntar não ofende: é verdade que os mesmos ônibus que a Carris utiliza são mais baratos quando vendidos para a concorrência privada? Talvez seja o “overpriced” da burocrática concorrência pública, editais, anulações, etc. Talvez.

ARGUMENTO FRACO

Dizem os defensores da Carris que um bom motivo para não se privatizar a empresa é que ela é centenária e presta bons serviços à população.  O contribuinte de Porto Alegre quer apenas bons serviços, sem custos adicionais de um asilo para empresas idosas e deficitárias.

O DESAFIO DE PRIVATIZAR (1)

Privatizar empresas públicas no Brasil é um fetiche, uma mandinga corporativista que exige visão de estadista para qualquer homem público. Lembram do processo de privatização da CRT? As cenas de histeria coletiva contra a modernização das telecomunicações no RS?

O DESAFIO DE PRIVATIZAR (2)


Na Era CRT um telefone celular tinha prazo de entrega de dois anos – sim, 24 meses! – e custava em torno de três mil reais. Este colunista guarda em seus documentos pessoais o contrato com a Celular CRT naqueles moldes. Justiça se faça, no entanto: dois anos depois, nenhum dia a mais, fui chamado para receber o meu “tijolão”.

O DESAFIO DE PRIVATIZAR (3)
 

No processo de privatização da CRT as figuras contra a medida adotada pelo governador Antonio Britto diziam que o RS estava entregando uma empresa rica para a iniciativa privada. Essas mesmas pessoas ostentam hoje  os mais modernos smarphones que a industria produz. No escurinho de suas residências agradecem os benefícios da privatização.