`
 

 

 

 
  Colunistas
 
 
 
 
 
 

MPE AZEDA OS SAFADOS

O nosso Ministério Público Estadual (MPE) está para os safados que adulteram o leite gaúcho assim como o MPF está para os ladrões do petrolão. Nesta terça-feira, a Operação Leite Compensado chegou a uma dúzia de ações contra os falsificadores do nosso alimento diário, completando quatro anos e enquadrando 70 pessoas envolvidas nessa fraude que parece não ter fim.


Acredito que não há um único gaúcho decente que não esteja se perguntando “como esses safados ainda continuam adulterando o leite que nos é vendido, mesmo sabendo do risco que correm?”

É bem provável que esses cretinos fazem as contas diariamente sobre os lucros auferidos na venda de leite adulterado e chegam a conclusão que vale a pena apostar numa provável impunidade, diante do estado atual de nosso país, mas eles não esperavam que o MPE também estava disposto a não lhes dar descanso, mesmo contando com recursos escassos na persistente vigília  da safadeza.

Em 2015, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou uma campanha visando acabar com alimentos contaminados e/ou adulterados. O médico Flávio Ejima, presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia, tem uma opinião sobre o tema: “Embora as doenças de origem alimentar recebam pouca atenção, são um grave problema de saúde pública. Em conjunto, somam pelo menos 200 problemas, desencadeados por bactérias, parasitas, vírus e substâncias químicas. No melhor dos casos, o paciente sofre apenas com náuseas e diarréia leve. Porém, podem surgir quadros mais graves, como insuficiência renal e hepática, distúrbios neurais, artrite reativa, câncer e até levar à morte “.

Por conseqüências dessa natureza como explicou Flávio Ejima é que nós continuamos confiando nas ações do MPE e nas decisões do Poder Judiciário para que os falsificadores do leite sejam punidos, não com liberdade controlada, mas com muitos anos de cadeia. Que esses adulteradores saibam que mais cedo ou mais tarde serão todos presos e processados.

ADULTERAÇÃO CRIMINOSA

O promotor Mauro Rockenbach explicou a ação do MPE: “Flagramos o uso de substâncias cancerígenas, caso da soda cáustica que mascarava o produto vencido. Além da soda utilizada em matéria-prima sem condições para consumo, água também era utilizada no leite. Não é tóxica, mas reduz significativamente a qualidade nutricional do produto”.

LAMENTÁVEL “CULTURA”

Ainda de acordo com o promotor Mauro Rockenbach, tais adulterações continuam a ocorrer por que temos a “cultura da adulteração aqui no nosso estado”.  Afirmação rigorosamente verdadeira. No litoral, em época de veraneio, temos a prova dessa “cultura” com a quantidade de alimentos adulterados ou com data vencida apreendidos pela fiscalização sanitária.

NOVAS TÉCNICAS

Os adulteradores do leite são bem diferentes daqueles velhos e antigos leiteiros que só acrescentavam água para aumentar o volume nos tarros e auferir mais lucro na venda do produto. Hoje, produtos químicos são misturados no leite com intenção criminosa.

VELHAS TÉCNICAS


Quando o leite não era fiscalizado como hoje, o máximo da adulteração se dava no arroio mais próximo do tambo, ocasião em que a água era acrescentada numa proporção de 20%.  Não havia muitos danos à saúde.  E nós, lá em Viamão, de vez quando, encontrávamos um lambari boiando quando o leite ia para a fervura.