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O TERRORISMO DA SEMENTE

A narrativa a seguir é rigorosamente verdadeira e por motivos óbvios preservo o autor que presenciou uma aula de terrorismo rural, não aquele terrorismo “convencional” (pequenas ações armadas, emboscadas e sabotagem, etc.), mas o de uma ação de longo prazo que defini como o “terrorismo da semente”. O fato ocorreu no interior do RS, num dos tantos encontros onde agricultores promovem a troca de sementes crioulas, cuja proposta é saudável e tem como objetivo qualificação de grãos, mais produtividade e, por consequência, mais renda para o agricultor e mais qualidade de vida. E o encontro ia muito bem até que um “líder” campesino pegou o microfone para semear o ódio entre os agricultores presentes.

“Vocês devem plantar cada vez mais o milho crioulo – disse o Che Guevara gaudério – e espalhar essas sementes para todos os colonos conhecidos de suas comunidades. Cruzem essas sementes com as sementes da Monsanto e em dez anos o plantio do milho transgênico acaba e a multinacional vai embora do Brasil”. Ali estava o discurso do ódio que não tinha outro propósito a não ser a apresentação de uma ideologia de jerico, uma vez que lavouras de milho crioulo não apresentam qualquer produtividade que possa competir com a biotecnologia e o melhoramento genético das sementes. Hoje, no Brasil, 90% das lavouras de milho são de sementes geneticamente modificadas.

Volto ao agricultor que me contou sobre a reunião da troca de sementes. “Plantei dois punhados de uma semente crioula (milho cateto) só para testá-la. Me certifiquei de que não havia outras lavouras por perto para evitar a polinização e o resultado foi uma colheita muito ruim, com apenas 25% do que costumo plantar.”

A conclusão do que foi narrado é do agricultor que por não ser um Jeca Tatu não se deixou influenciar pelo terrorismo da semente. Disse ele: “ Os colonos nunca terão rentabilidade plantando essas sementes. Seguirão na subsistência. Da mão prá boca. Não vão gerar riqueza. Ficarão sempre na dependência desses ‘espertos’ com o chapéu na mão e pedindo ajuda ao governo, sem falar no discurso de que o mal deles é provocado por uma multinacional. A lavagem cerebral ‘tá’ feita. Essa gente acredita piamente nisso. Infelizmente vamos demorar para ver mudanças significativas. É isso”. 

 

Autor: Rogério Mendelski

Postada em: 20/01/2018

 

 

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