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A IMPUNIDADE DA ELITE

Quando nós imaginávamos que uma elite safada andava acuada pelas operações da Polícia Federal e que alguns de seus representantes  já estavam secando suas cuecas nas janelas basculantes de alguns presídios, eis que a audácia dos estelionatários ainda  estava entrincheirada pelos sacos de areia da impunidade.  Não custa lembrar o que o nosso estado testemunhou com a série de operações sobre a fraude no leite do nosso café da manhã.  A primeira Operação Leite Compensado ocorreu em maio de 2013 e em  março de 2017 ela já estava na sua 12ª edição, revelando apenas que por 3 anos e 10 meses os fraudadores do leite permaneciam apostando na impunidade e na fragilidade de nossas leis sobre crimes contra a saúde da população.

Nesta semana, segunda-feira passada, a Polícia Federal deu andamento na Operação Carne Fraca que em sua terceira fase foi batizada de Operação Trapaça – trapaça que começou com adulteração de carnes (bovina, suína e frangos) apontando as gigantes do setor, Friboi e BRF como responsáveis pela comercialização de produtos com data de consumo vencida e maquiados com agentes químicos supostamente cancerígenos. O sistema de fraude tanto no leite quanto nas carnes, além das intenções criminosas dos donos dos frigoríficos e usinas de processamento lácteo, tinha um suporte ainda mais deletério por parte de quem deveria fiscalizar, em nome dos consumidores: os agentes do Ministério da Agricultura.

Na primeira fase da Operação Carne Fraca, em março do ano passado, o delegado da PF Maurício Moscardi, lembrou “que a responsabilidade pelos atos criminosos contra a população é tanto dos empresários quanto dos agentes públicos.” Dentro do Ministério da Agricultura funcionários envolvidos com o esquema removiam fiscais para garantir a continuidade do esquema.  Desta vez, com a Friboi sossegada pelos prejuízos e pelas prisões de seus controladores, os irmãos Joesley e Wesley Batista, foi a BRF que não se intimidou com os resultados das duas fases anteriores da investigação e continuou com o seu esquema de fraude nos exames laboratoriais em amostras de seus produtos.

O que será que passa pelas cabeças desses fraudadores de nossos alimentos do dia a dia, mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde serão flagrados em sua ação criminosa?  Além do crime em si, esses empresários também prejudicaram as nossas exportações e a imagem do Brasil como o maior produtor de proteína animal do planeta.  Mas essa elite se preocupa com isso?  Talvez a cadeia faça-os mudar de comportamento. Talvez...

 

Autor: Rogério Mendelski

Postada em: 12/03/2018

 

 

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